''Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir.''
Clarice Lispector (1925-1977)


Surto de loucura
Meus sentidos já não os sinto, estão entorpecidos.
Cá comigo, só mesmo a longitude das sombras de meus supostos objetos.
Nada reluz, nada tem cor.
Meu amor pelas pessoas acabou.
Cansei de amar!
O fétido paira sobre mim, já nem sei mais o que é o sentir.
De que valem os sonhos?
Para que existe a dor, senão para sentí-la?
Aos poucos este mundinho leva uma parte do meu eu.
Não é preciso muito esforço, todos baixam a cabeça para assim seguir paralelo a ele.
Calo-me.
Quieta fico.
O coração está triste.
Por mim mesma.

Declaração de amor por Fortaleza (Gíria de Cearense)
Pense numa cidade pai d'égua!
O ano todo com um calor de rachar o quengo. Toda noite tem comédia e o povo é bonequeiro que só!
Tá pra nascer quem é de Fortaleza que não é amancebado com esse lugar.
Tem é Zé prum cabra conhecer aqui e depois querer capar o gato. Pode ser liso, estribado, vir de perto ou lá da baixa da égua.
Qualquer um fica ariado quando vê as praias daqui. Fica logo todo breado de areia, depois se imbioca no mar e num quer mais sair nem a pau. Depois de conhecer a negada, então, vixe! Se a cidade é boa assim, avalie o povo!
Tem gente de todo jeito: do fresco ao invocado, do batoré ao galalau, dos gato réi às ispilicute, do cabra-macho ao fulerage e muitas outras marmotas. Bom que nem presta. É por isso que nas férias dá uma ruma de turista tudo doido por uma estripulia. Porque sabem que Fortaleza não é de se rebolar no mato. Só precisa dar um grau ou uma guaribada aqui ou ali, mas, mermo assim, tá de parabéns, porque, arrégua, ô corra linda, macho!
Bejo & Xero
Tire esse azedume do meu peito
E com respeito trate minha dor
Se hoje sem você eu sofro tanto
Tens no meu pranto a certeza de um amor,
Sei que um dia a rosa da amargura
Fenecerá em razão de um sorriso teu
Então a usura que um dia sufocou minha alegria há de ser o que morreu
Então a usura que um dia sufocou minha alegria há de ser o que morreu
Dai-me outro viés de ilusão
Pois minha paixão tu não compras mais com teu olhar
Leva esse sorriso falso embora
Ou fale agora que entendes meu penar
A lágrima que escorre do meu peito
É de direito pois eu sei que tens um outro alguém
Mas peço pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares
Faça por que te convém
Peço pra que um dia se pensares em trazer-me seus olhares
Faça por que te convém

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